GPT-6 Astra promete AGI e custa caro. Claude Fable 5.1 corta o preço do cache. E a Meta entrou na briga com o Muse Spark quase de graça.
Nessa semana a gente teve três lançamentos gigantes em três dias: GPT-6 Astra, Claude Fable 5.1 e Muse Spark 1.3. Comecei a live comparando um vídeo satírico sobre a bolha da IA com outro de 2008, e o paralelo é assustador: valuations absurdos, hype no lugar de receita, e as mesmas buzzwords de sempre, só que trocadas (Ajax virou "agents", blog virou tweet). A história se repete, mas como ninguém sabe o final, bora pros fatos.
GPT-6 Astra: a OpenAI lançou o modelo mais caro (e mais inteligente?) do mundo
A OpenAI apresentou o GPT-6 Astra, chamando de "o modelo mais inteligente e alinhado do mundo". Os números são de cair o queixo: 98% no FrontierMath Tier 4, 99,9% no ARC-AGI-3 e 100% no ExploitBench, benchmark de segurança cibernética. O contexto vai a 1,05 milhão de tokens, e no Terminal-Bench 4.0 ele fica na frente do Fable 5.1 por uma diferença pequena (57,9% contra 55,8%).
O preço é que chama atenção: US$ 10 por milhão de tokens de entrada e US$ 50 de saída, o mesmo do Fable 5.1 e bem acima do GPT-5.6 Sol. E o Greg Brockman disse na coletiva que, pessoalmente, acha que chegamos à era da AGI. "Welcome to the AGI era", completou.
Eu adoro os números do Astra, mas esse papo de AGI é puro hype de marketing. Modelo bom? Com certeza. Mas "chegamos na AGI" porque o modelo resolve matemática difícil é jogada de PR, e a gente precisa ler benchmark com o mesmo ceticismo que lê anúncio de curso.
Claude Fable 5.1: mais barato, mas sem baixar o preço
A Anthropic lançou o Fable 5.1, e a jogada foi nos custos de cache, não no preço do token (que segue em US$ 10/US$ 50). A leitura de cache caiu 75%, de US$ 1 para US$ 0,25 por milhão de tokens. Na prática, o custo de workloads típicos cai cerca de 25%, e até 45% em tarefas bem agentivas. Junto veio o Mythos 5.1, a mesma base com menos travas de segurança, restrito a programas de acesso confiável.
Como sempre, a Anthropic trouxe um case de outro mundo: no fundo Millennium, o modelo encontrou a causa de um crash raro que nenhum engenheiro conseguiu explicar em anos de tentativa.
Cache mais barato é real e importa muito pra quem roda agente em produção. Mas o case do Millennium tem cheiro de marketing, igual ao "resolveu problema que ninguém resolveu" de todo lançamento. Consumo com sal.
Muse Spark 1.3: a Meta entrou na briga (e vai abrir os pesos)
A Meta lançou o Muse Spark 1.3 com uma jogada ousada: US$ 1,25 por milhão de tokens de entrada e US$ 4,25 de saída, uma fração do que os labs de fronteira cobram. E tem mais: quem aceitar usar os dados no treinamento ganha mais de 90% de desconto. O Zuckerberg ainda prometeu liberar os pesos como open weights, o que muda o jogo pra quem não pode usar modelo chinês por compliance.
O desconto de 90% em troca de dados é genial e assustador ao mesmo tempo. Pra quem roda código proprietário ou dado de cliente, LGPD na cabeça, esquece o modo barato. A Meta tá precificando o dado, e isso é uma aula de estratégia.
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